E blog Cultura Caipira acabou…

Monumento Carro de Boi - IR

Monumento dos Imigrantes ou do Carro de Boi – Campo Grande – MS
Foto de Sakasam, no Flickr

de se mudar! 🙂

Olá pessoal! Este artigo é só para avisarmos que blog Cultura Caipira acabou de se mudar para domínio, servidor e hospedagem próprios. Acessem neste novo endereço a partir de amanhã:

www.culturacaipira.com

Desde já agradecemos sua audiência, comentários, compartilhamentos e curtidas. Esperamos fazer mais e melhor nesta nova etapa.

Aguardamos a sua presença lá!

Grande abraço,

Cultura Caipira Blog

10 de Outubro de 2012

Tá faltando alma sertaneja, tá faltando o som da viola?

Olá pessoal! Trazemos até vocês hoje um artigo e o vídeo da música da recém separada dupla Marco Aurélio e Paulo Sérgio: Tá na hora. Com fortes críticas ao momento musical vivido pelo sertanejo no país, a letra faz menção ao comércio das músicas, uso de programas de computador para acertar a afinação da voz, produtores com estrela mais alta que os próprios cantores, da compra de canções…

Seu refrão diz:

“Tá na hora, tá na hora

de escutar modão de verdade

Uma guarânia, um chamamé,

xote, bolero, um arrasta pé

e um batidão daqueles

da gente suar dançando com a mulher”

Considerados os percussores do sertanejo universitário e autores de várias canções que fazem sucesso atualmente nas rádios do Brasil, podemos afirmar que os dois possuem conhecimento de causa para embasar suas críticas: leia o artigo completo no Lado B.

Deixamos o vídeo para vocês escutarem e tirarem suas próprias conclusões:

E vocês concordam? “Tá faltando alma sertaneja, tá faltando o som da viola…” nas rádios e na tv? Digam aí nos comentários!

Para quem quiser saber mais sobre estas e outras questões relacionadas ao “Sertanejo Universitário”, o Blog Zona da Viola tem uma seção com uns artigos sobre o assunto.

Dia do Chamamé – 19 de Setembro

Dia do Chamamé

Fonte da imagem: Igor Alecsander, no Flickr 

“Soy el Chamamé, la tierra sin mal
Dejame cantar em tu corazón
Quiero ver la luz de tu libertad
Y después volar
En el resplendor de tu sapucay
No hay destierro para mí
Soy el soy de nuestra gente
El arraigo y la pasión
Soy el alma de Corrientes. * ”

Olá pessoal! Nossa postagem de hoje é em comemoração a um dia especial para a cultura musical do país, especialmente para a região centro-sul: o Dia do Chamamé!

Gênero musical tradicional da província de Corrientes, Argentina, apreciado também no Paraguai e em vários locais do Brasil (i.e. nos estados do Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul) e em outros países. Em sua origem se integram raízes culturais dos povos indígenas guaranis, dos exploradores espanhóis e até de imigrantes italianos. Na Argentina, o chamamé é dançado em compasso ternário, ou seja o chamamé valsado, na língua indígena guarani, chamamé quer dizer improvisação.

Fonte: Wikipedia

A data escolhida é o aniversário da morte de Mario del Tránsito Cocomarola, em 19 de Setembro de 1974, decretada pelo Poder Executivo da Província de Corrientes, Argentina, local de nascimento do artista. Autor de mais de cerca de 400 composições, é considerado o “Taita” (Pai) do Chamamé, e é o compositor de KM 11 , considerada o hino deste gênero musical.

O chamamé já passou aqui em nosso blog, com duas músicas da nossa categoria Instrumental: La Cahu, interpretada por Marcelo Loureiro, e Corumbá, por Almir Sater. Também foi citado no artigo “Mato Grosso do Sul – o Paraguai é aqui”, que fala dos costumes e tradições deste estado.

É um ritmo muito apreciado nestas terras, onde ao escutar a menor menção de um chamamé ou polca, já se escuta alguém puxando o sapucay. Está em nossas raízes, na cultura, no que escutamos nos bailes, festas, nas rádios ou nos churrascos em família, e não poderia deixar de provocar muitas alegrias quando chega aos ouvidos. E com certeza vai passar por aqui por muitas e muitas vezes, pois ainda temos muitos artistas que vocês conhecem ou que ainda vão conhecer que merecem nossa homenagem. Não vamos citar nomes para não deixar ninguém de fora…

Em Campo Grande temos o Centro Cultural do Chamamé – CCC, que em breve será tema de um artigo de nosso blog, cujo objetivo é resgatar e manter a tradição do chamamé aqui no MS e no Brasil. Com vocês, deixamos uma matéria do programa Atualidades, da TV Morena, que foi realizado no CCC, com a presença de Orlando Rodrigues, seu idealizador, demais fundadores e alguns membros do centro cultural:

Informações: O Centro Cultural do Chamamé reúne-se mensalmente aos dias 19 de cada mês, com entrada franca, a partir das 19:30. O local fica na Rua Alfazemas, 33 – Chácara Cachoeira. Veja o mapa aqui. Telefone de contato: (67) 9207-5959.

E para saberem um pouco mais da influência do chamamé em nossa cultura, falando também sob seu aspecto dançante, uma matéria do programa Meu Mato Grosso do Sul, no 1º Festival de Chamamé, que aconteceu em Setembro de 2011, na cidade de Rio Brilhante – MS:

http://globotv.globo.com/tv-morena/meu-mato-grosso-do-sul/v/de-origem-argentina-o-chamame-e-sucesso-em-mato-grosso-do-sul/2028847/

* Declamação da música “Soy el Chamamé”, de argentino Antonio Tarrago Ros, bem conhecida por aqui na versão do grupo Canto da Terra, compartilhada no perfil de Daniel Cabral Barbosa, amigo do Cultura Caipira Blog no Facebook. *

Espero que tenham gostado! Esperamos sua opinião nos comentários.

Obrigado 😉

Baldrana Macia – Sérgio Reis

Olá pessoal! Temos a honra de trazer a vocês hoje mais um grande artista que estréia em nosso blog: Sérgio Reis. Paulistano, com mais de 50 anos de carreira, 41 discos gravados e mais de 16 milhões de cópias, começou sua carreira musical cantando músicas da Jovem Guarda, como “Coração de Papel” que o levou às paradas de sucesso, o que não se repetiu com outras canções do gênero. Porém seu sucesso definitivo veio mesmo com a gravação de “O menino da porteira”, de Teddy Vieira.

No ano seguinte [1975], lançou um disco que reunia diversos clássicos da música sertaneja, “Saudade da minha terra”, que, além da música título, de Goiá e Belmonte, trazia ainda, entre outras, “Coração de luto”, de Teixeirinha, “Mágoa de boiadeiro”, de Nonô Basílio e Índio Vago, “Pingo d’água”, de João Pacífico e Raul Torres,  “Chalana”, de Mário Zan e Arlindo Pinto, e “Rio de lágrimas”, de Lourival dos Santos, Tião Carreiro e Piraci. Com o LP “Saudades de minha terra”, recebeu Disco de Ouro.

Fonte: http://www.dicionariompb.com.br/sergio-reis/dados-artisticos

Como ator, participou da gravação de algumas novelas, dentre elas: A História de Ana Raio e Zé Trovão, Pantanal e Rei do Gado, onde interpretou, ao lado de Almir Sater, a dupla “Pirilampo e Saracura”.

Atuou também nos filmes “Menino da Porteira”, “Mágoas de Boiadeiro” – cuja análise da música já fizemos aqui – e “Filho Adotivo”,

A música que escolhemos hoje é “Baldrana Macia”, de Anacleto Rosas Júnior e Arlindo Pinto. O vídeo é do filme “Vida de Peão – Filho Adotivo”, de 1979, postado no blog anacletorosas.blogspot.com.br, que fala somente do autor Anacleto Rosas Júnior.

Bom proveito!

Baldrana Macia
Anacleto Rosas Júnior e Arlindo Pinto

Comprei um caco chapeado
E uma baldrana macia
Um coxinilho dos brancos
Pra minha besta ruzia
Um temporal de argolinha
Uma estrela que brilha
Fui dar um passeio em Tupã
Só pra ver o que acontecia

E quando entrei na cidade
Com a besta toda enfeitada
O povo todo da rua
Parava em pé na calçada
As mulheres que passavam
Olhavam admiradas
No meio delas vi uma
Que me prendeu numa olhada

Eu já moça bonita
Mas não vi mulher assim
Pra onde eu me virava
Via ela olhar pra mim
E eu vendo aquela flor
Parecida com jasmim
Eu falei comigo mesmo
Vou levar pro meu jardim

Eu andei mais um pouquinho
E da besta me apeei
E chegando perto dela
Lindas coisas eu falei
Ela então me respondeu
Que é por causa que eu olhei
Você esta muito enganado
Foi da besta que eu gostei
Você esta muito enganado
Foi da besta que eu gostei

Fonte da música: http://letras.mus.br/dino-franco-mourai/883182/

 

Caco chapeado: (Regionalismo: Sul do Brasil) espécie de lombilho (apeiro) ou arreio de montaria em geral

Fonte: http://pt.wiktionary.org/wiki/caco

Arreio aparece em duas músicas aqui do blog, você já viu?

Vejam um belíssimo exemplo (e a descrição da foto no Flickr do autor)

Chapeado

 

Baldrana: que também pode ser conhecida como Badana – “manta de couro lavrado, que se coloca sobre o arreio, acima do pelego.”

Fonte: http://www.ihggi.org.br/pag.php?pag=vocabulario

Baldrana Simples - Selariada

Fonte da imagem: http://selariada.com.br/photo.php?photoid=63&albumid=4&page=1

 

Coxinilho: ou Coxonilho – manta de tecido de algodão ou estopa guarnecida por retalhos de várias cores, que substitui o pelego.

Fonte: http://www.ihggi.org.br/pag.php?pag=vocabulario

Coxinilho - Cavalo Web

Fonte da imagem: http://www.cavaloweb.com.br/detalhes.php?cont=1069&modulo=10

 

Ruzia: não encontramos o significado… o que vocês acham que é? Escrevam nos comentários!

 

Peitoral de argolinha: Correia que cinge o peito do cavalo.

Fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=peitoral

Fonte da imagem: http://selariaedercouro.blogspot.com.br/2010/01/sela-completa-com-traia-em-couro-cru.html

Tupã: cidade do interior do estado de São Paulo

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tup%C3%A3_(S%C3%A3o_Paulo)

Chico Mulato – Tonico e Tinoco

Olá pessoal! Estreando aqui em nosso blog hoje temos uma das duplas mais representativas da nossa cultura caipira: Tonico e Tinoco. Com uma extensa discografia e inúmeras obras que marcaram a música raiz do Brasil, foram apelidados pelo apresentador Dácio Ferreira como a Dupla Coração do Brasil:

Em julho de 1979 marcaram sua carreira com um show no Teatro Municipal de São Paulo, cuja lotação esgotou e mais de 1.000 pessoas ficaram do lado de fora. Foi a primeira vez que uma dupla sertaneja ocupou um teatro até então voltado para a cultura erudita.

Autor: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Dentre tantas excelentes músicas que interpretaram, escolhemos Chico Mulato, de Raul Torres e João Pacífico, gravada no álbum “Recordando Raul Torres”, que contém ainda outros grandes sucessos como “Moda da Mula Preta” e “Pingo d’Água”. Particularmente gostamos muito desta toada, em especial por sua história, melodia e a declamação inicial:

Chico Mulato
Raul Torres e João Pacífico

Declamado:

“Na volta daquela estrada
Bem em frente da encruzilhada
Todo ano a gente via
Lá no meio do terreiro
A imagem do padroeiro
São João da Freguesia

De um lado tinha fogueira
Em redor, a noite inteira
Tinha caboclo violeiro
E uma tal de Teresinha
Cabocla bem bonitinha
Sambava neste terreiro

Era noite de São João
Tava tudo no serão
Tava o Ramão, cantador
Quando foi de madrugada
Saiu com Teresa pra estrada
Talvez confessar seu amor

Chico Mulato era o festeiro
Caboclo bom, violeiro
Sentiu frio seu coração
Tirou da cinta o punhal
E foi os dois encontrar
Era o rival, seu irmão

Hoje, na volta da estrada
Em frente da encruzilhada
Ficou tão triste o sertão
Por causa de Teresinha
Essa tal de caboclinha
Nunca mais teve São João

Tapera da beira da estrada
Que vive assim descoberta
Por dentro não tem mais nada
Por isso ficou deserta
Morava Chico Mulato
O maior dos cantador
Mas quando Chico foi embora
Na vila ninguém sambou
Morava Chico Mulato
O maior dos cantador

A causa dessa tristeza
Sabida em todo lugar
Foi a cabocla Tereza,
Com outro, ela foi morar
O Chico acabrunhado
Largou então de cantar
Vivia triste, calado
Querendo só se matar
O Chico acabrunhado
Largou então de cantar

Emagrecendo, coitado
Foi indo até se acabar
Chorando tanta saudade
De quem não quis mais voltar
E todo mundo chorava
A morte do cantador
Não tem batuque, nem samba
Sertão inteiro chorou
E todo mundo chorava
A morte do cantador

Fonte da letra: http://www.kboing.com.br/tonico-e-tinoco/1-1008770/

Terreiro: “Palavra de tradição portuguesa, terreiro é a área de terra que fica em frente de uma casa de fazenda ou de sítio. Originária de uma cultura rural, o terreiro é o terreno amplo à volta da casa ou edifício mais rico de uma comunidade, originalmente, o terreno de um senhor feudal, dono das terras, onde são acolhidas as cerimónias religiosas e culturais do povo que trabalha essas terras e constitui, assim, essa comunidade.”

Serão: “Festa noturna. = SARAU”

São João: Festas Juninas (julinas e agostinas) que acontecem no país

Tapera: “[do Tupi] – Aldeia abandonada; habitação em ruínas.”

Acabrunhado: “Envergonhado, entristecido, humilhado.”

Batuque / Samba: “Da mesma forma que o batuque, já desde o início do século XIX, a palavra samba se estendeu como designação de qualquer tipo de baile popular, sinônimo de arrasta-pé, bate-chinela, brincadeira, balança-flandre, baiana, cateretê, fandango, fobó, forró, forrobodó, função, fungangá, pagode, xiba, zambê, entre outros. Além de ritmo e compasso definidos musicalmente, traz historicamente em seu bojo toda uma cultura de comidas (pratos específicos para ocasiões), danças variadas (miudinho, coco, samba de roda, pernada), festas, roupas.”

Bônus: o próprio João Pacífico fazendo a declamação de Chico Mulato, acompanhado por Adauto Santos e Nonô Basílio, no programa Viola Minha Viola, em 1980, apresentado por Moraes Sarmento:

Espero que tenham gostado, bom proveito e até a próxima oportunidade! Apreciaremos sua opinião nos comentários!

Piada: Briga de galo

Numa cidade do interior, um viajante sem ter o que fazer, foi assistir as tradicionais brigas de galo. Por não entender nada do assunto, pediu ajuda a um homem ao seu lado.
– Por favor, qual é o galo bom, o branco ou o vermelho?
– O galo bão é o branco!
O viajante por mais que depressa, apostou tudo no galo branco. Com 30 segundos de briga, o galo
vermelho arrebentou o galo branco. Foi aí que o viajante reclamou:
-Pô! Eu perguntei qual era o favorito e o senhor me falou que era o branco!
– Não sinhô. O sinhô perguntô quar era o galo bão. E o galo bão é o branco.
Se o sinhô tivesse perguntado quar era o marvado…

Autor: http://www.piadascurtas.net.br/briga-de-galo

Sugestão enviada por Bruno Zucareli. Envie a sua!

Harpa Paraguaia: Pájaro Campana

Olá pessoal! Trazemos até vocês hoje uma publicação das nossas categorias Artigos e Instrumental, que apresenta um instrumento muito influente na cultura sul matogrossense: a harpa paraguaia.

A harpa chegou à América com os espanhóis que se instalaram em distintas regiões do continente, uma das quais a República do Paraguai, que nessa época era povoada pelos índios Carios. […]

Em pouco tempo de convivência dos espanhóis e os índios Carios, produziu-se o cruzamento de dois grupos étnicos de culturas diferentes. Dessa fusão surgiu uma estirpe nova, que é a paraguaia. Por incrível que pareça nesse momento o idioma guarani também sofreu um fenômeno parecido, ou seja, houve um choque de mudança cultural.

Reconhecidamente, o Paraguai é um país bilíngüe. Lá se fala obrigatoriamente o guarani e o espanhol. No entanto, o idioma dos índios Carios, com o passar do tempo, foi minado pelo hispanismo e deixou de ser castiço; fruto dessa interferência e que atualmente no Paraguai se escreve algumas poesias no guarani puro, mas o povo fala em guarani hispanizado, porém, sem perder a sua essência telúrica americana.

Podemos afirmar que a HARPA PARAGUAIA originou-se pela fusão destas duas civilizações, onde este instrumento foi adotado pelos nativos, que a aperfeiçoou à sua maneira, construindo-a de madeira americana, logrando uma notável estilização e criando seu próprio repertório. […]

Para ler o artigo completo, clique aqui.

E como escutar este incrível instrumento nos faz compreender melhor o que autor nos passa em seu artigo, deixamos para vocês apreciarem a música Pajaro Campana, que segundo o autor:

A harpa paraguaia tem compenetrado no espírito do artista paraguaio e hoje em dia faz parte do seu cotidiano. Devo citar que foi o compositor FELIZ PEREZ CARDOSO que imortalizou na harpa paraguaia a música Pássaro Campana (guyra pu, ou guyra campana, em guarani), uma das páginas musicais mais folclóricas e representativas do Paraguai justamente a que dá mais brilhantismo ao harpista ao interpretá-la.

Esta polca paraguaia já faz muito tempo que ultrapassou nossas fronteiras, levando consigo os acentos e latidos telúricos de América que simboliza este pássaro que voa repartindo harmonia do nosso continente, para todas as latitudes do nosso planeta.

O Pájaro Campana é a ave símbolo do Paraguai. A lenda sobre ele conta que na época colonial, assassinaram um monge e queimaram seu monastério. O campanário caiu, porém o sino (campana) continuou soando misteriosamente, e foi transformado no Pájaro Campana.

A gravação que escolhemos é a de Luis Bordón, um dos melhores artistas neste instrumento. Bom proveito!

O artigo foi sugerido pelo nosso leitor Elmes. Se você quiser nos sugerir alguma música ou matéria para o nosso blog, entre em contato conosco: culturacapirablog@gmail.com

Goiano Valente – Nenete e Dorinho

Olá pessoal! Hoje vamos compartilhar um pouco mais da nossa cultura caipira, trazendo até vocês Nenete e Dorinho. Dupla do interior de São Paulo, gravou dezenas de discos, sendo que Nenete – com o nome artístico de Limeira – juntamente com Luizinho, foi a primeira dupla a gravar o clássico Menino da Porteira, de Teddy Vieira. Formaram com o acordeonista Nardelli (cujo nome era Antônio Onofre Figueiredo), o trio Nenete, Dorinho e Nardelli.

A música escolhida é do álbum Viola Morena, de 1962. Trata-se de Goiano Valente, uma moda campeira gravada em LP de 78 rotações. Conta a história de um homem que foi raptar a filha de um goiano, e pela audácia e valentia dos personagens, imaginamos que música trata de dois goianos e não de um só!

Goiano Valente
Nenete e Piraci

Arriei meu burro preto que tinha o nome de cigano,
eu sai cortando estrada de madrugada fazendo plano,
eu já tinha combinado pra ir roubar a filha de um goiano,
levei meu trinta na cinta do cabo branco e um palmo de cano

O goiano era um perigo que dava medo a toda gente,
não enjeitava bate fundo, era mesmo um homem valente,
não tinha medo de nada até parecia ser uma serpente,
eu tinha toda certeza que seria mesmo um tempo quente

Eu cheguei na casa dela de madrugada estava garoando,
ela beijou sorrindo de alegria estava chorando,
joguei meu bem na garupa e com aquela flor voltei galopando,
a gente da minha casa preocupado estava me esperando

O goiano quando soube, bateu em cima me procurando,
trazendo uma baita lapiana e pela estrada vinha riscando,
logo vieram avisar para ter cuidado com o tal goiano,
que vinha que nem boi bravo que até a sua sombra vinha insultando

Quando avistei o goiano eu fiquei firme na minha defesa,
ele paro em minha frente e até tremia de tanta braveza,
chego pra bem perto de mim e foi falando com delicadeza,
eu acho melhor assim casando fugido menor a despesa.

Trinta na cinta do cabo branco e um palmo de cano: nome carinhoso dado ao famoso 38, também chamado “três oitão”. Aqui você pode ver dois belos exemplares com as características citadas, cabo branco e um palmo de cano

Enjeitava: recusava, rejeitava

Bate fundo: não encontramos o significado, porém no contexto deve significar briga, discussão, enfrentamento

Lapiana: Facão grande usado por trabalhadores do campo

Fonte da letra: http://letras.mus.br/nenete-dorinho/762977/

E aí, o que acharam da música e de nossa análise? Dê sua opinião nos comentários.
Boa semana!

Instrumental: Mercedita – Marcelo Loureiro e Orquestra Municipal de Campo Grande

Olá pessoal! Trazemos a vocês hoje mais uma música da categoria Instrumental. Nossos convidados de hoje são Marcelo Loureiro, que já foi tema de algumas passagens aqui no blog e a Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande (OSMCG), que homenageou o Bicentenário da independência do Paraguai em um show no Teatro Glauce Rocha lotado, em maio do ano passado.

Com forte influência de nossos vizinhos sobre a cultura sul matogrossense, tema de outro artigo do blog, a música paraguaia por aqui também é bastante apreciada, e quando juntam-se as mãos hábeis de Marcelo Loureiro, uma orquestra sinfônica e uma música muito conhecida por nós, o resultado é este, com direito ao tradicional sapucay: “no dialeto mbya-guarani, proveniente da língua tupi, significa grito. O termo surgiu nas tribos guaranis, e os gritos simbolizavam emoções e momentos vividos pelos índios. Com o passar dos anos e a chegada dos jesuítas à região, o Sapucay foi tomando outras formas e outros significados.”

Apreciem sem moderação!

Agradecemos ao leitor Leandro Elias pelo envio do vídeo. Se quiser mandar sua sugestão é só entrar em contato pelo email culturacaipirablog@gmail.com ou pelo nosso formulário de Contato. Estamos também nas redes sociais: Facebook, Twitter e Google Plus.

Lourenço e Lourival – Canga do Tempo

Olá pessoal! Estamos de volta hoje com a categoria Música Caipira, trazendo a vocês um pouco mais da cultura caipira brasileira. A música que selecionamos hoje é Canga do Tempo, de José Fortuna. A versão que escolhemos foi gravada por Lourenço e Lourival, dupla de irmãos da cidade de Ribeirão Preto – SP.

Uma curiosidade sobre a música é que ela tem o subtítulo de “Canga de Guarantã” nome de uma árvore e que também é o nome de uma cidade do estado de São Paulo. Seu siginificado é:

… corruptela indígena de” iara-tã”que significa madeira dura, refere-se às árvores da família das rutáceas, que formam as matas locais.

E madeira dura, aplicada ao contexto da música (tocada em ritmo de Querumana), lhe cai muito bem. Vamos a ela!

Canga do Tempo
José Fortuna / Paraíso

Numa canga de madeira os bois carregam
a carga no velho carro em seu vai e vem
com a canga do meu destino eu carrego a vida
e a vida carrega as dores que o mundo tem

As dores vem dos meus sonhos despedaçados
estradas esburacadas que em mim ficou
por onde puxei meu carro de amor desfeito
até que a canga do tempo me calejou.

Todos temos nossa canga mas nós não vemos,
puxando a pesada carga da solidão
até que o carro da vida um dia pára
no lamaçal sem saída do coração.

Canga de madeira forte foi desgastando
pelas estradas batidas desses sertões
a canga do meu destino é bem mais dura
porque foi feita por muitas ingratidões

Sobra de amores ficaram pelos barrancos,
recordações se perderam nos areiões
ficou o pó da saudade no cabeçalho,
e o choro das minhas mágoas nos seus cocões

Todos temos nossa canga mas nos não vemos,
puxando a pesada carga da solidão
até que o carro da vida um dia pára
no lamaçal sem saída do coração.

Canga: também conhecida como Parelha, é uma peça de madeira que prende os bois ao carro.

Carro: cremos que para muitos dispensa apresentações, mas trata-se do Carro de Boi

Cocões: Uma das 4 peças de madeira vertical fixa na cheda (prancha lateral do leito) do carro de boi entre as quais gira o eixo. E que junto com o chumaço faz o carro cantar. Aparece tembém na música João Carreiro

Fonte da letra da música: http://www.josefortuna.com.br/letras/canga_do_tempo.htm

Há também um vídeo bem antigo desta música gravada por João Mulato e Douradinho no blog Viola Quebrada, apreciem lá!

 

Comentem, sugiram, critiquem. A opinião de vocês é muito importante para nós! Boa semana!

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